Isaac, Teófilo, Gordinho, Raulino, Domingos, Baiano, Nêgo do Borges,
Ennes Duarte, Marinho, Thomáz e Oswaldo Vento.
Jogo em 1934 contra o Jaraguá, e o resultado foi 2 x 2,
com gols de Raulino e Ennes Duarte.

Fontes:

*Arquivos do Futebol Goiano - Autor: João Batista Alves Filho

*SILVA, W. R. Sou anapolino com muito orgulho - Raul Silva. Anápolis, 2003. 21 ed.

*FERREIRA, H. J. Anápolis - Sua Vida, Seu Povo.

No início da década de trinta, o futebol de Anápolis vivia em séria crise financeira. Sendo assim, o Anápolis Sport (equipe que deu origem a Anapolina), volta e meia entrava de licença, voltava, tinha o campo leiloado, parava novamente, etc.; vivendo em um regime de semi-profissionalismo, trazendo jogadores de fora que jogavam em troca de pensão, comida e roupa lavada. No início da década de 40, o Anápolis Sport chegou a manter uma equipe famosa, na qual apenas Arnaldo, Raul e Zeca eram da cidade. Em 1944, quando o clube atingiu sua época de maior prestígio, foi obrigado a liberar os passes dos jogadores de fora, pois não poderia mais arcar com as despesas. As dívidas, no entanto, avolumavam-se mesmo chegando ao vice-campeonato de 1946, aproveitando jogadores exclusivos da cidade. A crise apresentava-se, em 1947, como insolúvel. Dirigia o Anápolis Sport, José Maria do Nascimento Júnior, que havia injetado dinheiro no clube, assim como os seus antecedentes. Os ânimos foram acirrando-se. O presidente, de posse dos livros e estatutos do clube, mantinha-se irredutível. A situação atinge um clímax, com jogadores e antigos dirigentes optando pela criação de uma nova agremiação. Morre o Pantera, nasce a XATA.

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Após sucessivas reuniões, de que participavam os Puglisi, José Elias, Odir da Costa Ferreira, José Abdalla, Edson Hermano, João Asmar e outros, decidiu-se que as cores do novo clube seriam as mesmas do antigo Anápolis Sport, calções brancos e camisas vermelhas, e elegeu-se a seguinte diretoria, que tomou posse a 1º de fevereiro de 1948: Presidente: Gisberto Ferraresi; Vice-Presidente: José Elias Isaac; 2º Vice: Moisés Roriz Filho; Secretário: João Pedro Neto; 2º Secretário: Ângelo Carnielo; Diretor de futebol: Edson Ermano. No dia 18 de Abril de 1948, estreou a Associação Atlética Anapolina contra o Ferroviário Esporte Clube de Araguari. A RUBRA venceu a primeira partida de sua história pela contagem de 3 x 2, com gols de Júlio, Leônidas e Picum. A primeira escalação da Anapolina foi esta: Juca, Petrônio e Tatu; Arnaldo, Iberê e Zê Lemes; Alípio (Luizinho), Júlio, Juvenal, Picum e Leônidas. Em 1949, a Anapolina sagrou-se a primeira campeã do certame anapolino, e repetiu o feito por mais três vezes consecutivas. Em 1951, a Anapolina tinha o melhor e mais forte elenco da cidade, e possivelmente do Estado; era um time imbatível no Centro-Oeste.

O futebol é o nosso esporte mais popular, e faz parte de nossas raízes culturais. A Anapolina é um clube sem títulos, mas a sua origem, histórias e lendas, cultivam cada vez mais uma legião de torcedores e admiradores. Vamos aqui comentar alguns fatos famosos que envolveram a Rubra, alguns verídicos, outros talvez baseados em fatos semelhantes, e modificados pelo imaginário popular...

A Anapolina é um clube cujo nome é feminino, como são também, por exemplo a Ponte Preta de Campinas, a Internacional de Limeira e a Portuguesa de São Paulo. Desde a sua fundação, a Associação Atlética Anapolina é conhecida no futebol goiano pelo seu gênero feminino de tratamento, ou seja, todos a conhecem por "...a Associação...", "...a Rubra...", "...a Xata...", "...a Anapolina...", etc. Porém, não se sabe bem o motivo, a crônica esportiva de outros estados (principalmente a paulista e a carioca) têm a mania de denominar o clube de "...o Anapolina...", prática essa que causa uma profunda irritação nos torcedores da Xata. Não se trata, porém, de nenhum erro gramatical. Quando utilizamos a denominação "...o Anapolina...", estamos empregando a figura de linguagem chamada "Silepse de Gênero", em que o artigo masculino concorda com a palavra "time". Futebol também é cultura!

Na fase do Annapolis Sport Club, o mascote do time era a Pantera. Com o advento da Anapolina, o mascote oficial passou a ser a Fênix, aquela ave mitológica que renasce das cinzas. Todavia, a Xata também é representada pela "Madame X", que é uma dama sensual vestida de vermelho. A Fênix também pode ser representada por uma figura feminina alada, podendo ser utilizada também aquela personagem das histórias em quadrinhos, da série "X-Men". Outro mascote cultuado ao longo dos anos é a "Velha", que é uma velhinha mesmo, usando um chale vermelho.
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A história da Rubra é marcada por várias polêmicas, envolvendo os bastidores dos Tribunais de Justiça Desportiva, mais conhecidos por "tapetão". O título de 1981, perdido para o Goiás, foi o mais sofrido para a torcida. Naquela época a Rubra tinha um grande time, porém não tinha um grande elenco. As contusões e suspensões de jogadores acabavam colocando a equipe em dificuldades, pois as peças de reposição não estavam à altura dos jogadores titulares. Para os jogos finais contra o Goiás, a Anapolina ficou sem um médio-volante, e a solução foi contratar o jogador Osmar Lima para a posição. A contratação foi bem sucedida, e o time conquistou o título dentro de campo. Porém, a diretoria do Goiás acabou descobrindo que o passe do jogador não havia sido registrado na Federação Goiana, e a Rubra perdeu o título mesmo tendo ficado vários pontos na frente do Goiás na tabela de classificação. Mais recentemente, a Anapolina também se envolveu em polêmicas na justiça desportiva. No Campeonato Brasileiro da Série C de 1999, foi desclassificada devido a uma irregularidade descoberta pelo Fluminense. No campeonato goiano daquele mesmo ano, conseguiu retornar para a primeira divisão mesmo rebaixada no ano anterior, graças a uma irregularidade descoberta no time do Santa Helena. Nos meados dos anos 70, a Rubra já se envolvia em polêmicas nos tribunais. Naquela época, no dia 18/09/1977, a Anapolina enfrentou o Goiânia em Anápolis, e perdia o jogo por 1 x 0 (Naquela época, o Goiânia tinha uma grande equipe, e chegou a disputar o título de campeão goiano). Faltando uns quinze minutos para o final do jogo, o juiz expulsou dois jogadores do Goiânia, e a Xata passou a pressionar em busca do empate. No desespero, os jogadores do Goiânia começaram a chutar as bolas para fora do estádio. Torcedores contrários à Xata começaram a pegar as bolas, e sumiram com elas... E o jogo acabou sendo paralisado, por falta de bolas para a continuidade da partida. No julgamento do Tribunal, o resultado acabou sendo confirmado, pois os juízes entenderam que a Anapolina era a mandante do jogo, e portanto responsável pelo fornecimento das bolas. Como a Anapolina ainda tinha chances de classificação para a fase final, o campeonato ficou quase um mês paralisado. O Goiânia, que era o grande favorito, acabou perdendo o embalo e o título para o Vila Nova. Mais recentemente, a Rubra foi derrotada em diversas ocasiões, além do Fluminense, também pelo Villa Nova de Nova Lima e Avaí. Em 1953, ainda na fase amadora, a Xata perdeu o ponto conquistado num empate de 3 x 3 com o Atlético em Goiânia, por ter atuado com um jogador irregular. Na Série B de 2003, a Xata perdeu os três pontos conquistados na vitória sobre o América-RN, pois escalou um jogador que estava suspenso com três cartões amarelos. As jogadas no tapetão do campeonato goiano não são exclusividade da Anapolina. Em 1969, o CRAC de Catalão foi campeão dentro de campo, porém perdeu o título para o Vila Nova nos tribunais, já que o clube de Goiânia provou que o time catalano fez uma substituição a mais durante o jogo final.
Em 1978, a Seleção Brasileira foi terceira colocada invicta na Copa do Mundo realizada na Argentina. Naquela ocasião, o técnico Cláudio Coutinho proclamou-se “campeão moral”. Em 1981, com a derrota no tapetão para o Goiás, a diretoria da Anapolina também adotou igual posição, chegando inclusive a inserir no emblema do clube uma estrela de "campeã moral".
O escudo da Rubra, com as três letras "A" entrelaçadas, é uma característica marcante do clube desde a época do amadorismo. Ao longo dos anos, vários formatos foram adotados para o escudo, utilizando-se as três letras destacadas por círculos, losangos e até triângulos, juntas ou separadas. Na fase profissional, acabou sendo adotada a forma mais moderna e atual, com as três letras "A" inseridas dentro de um círculo. Em 1981, quando a Anapolina perdeu o título para o Goiás no tapetão, a diretoria resolveu adotar uma estrela, que simbolizava o título de "campeão moral". Após alguns anos essa iniciativa acabou sendo abolida, pois ficou provado que a diretoria sabia da irregularidade que provocou a perda dos pontos e do título. Alguns órgãos de imprensa, contudo, continuam utilizando a estrela quando publicam o escudo da Anapolina. A vinheta da Copa do Brasil 2001, utilizada pela Rede Globo naquele ano, apresentava o escudo da Rubra em destaque com a estrela.

Apesar dos traumas já citados, a Anapolina conseguiu no ano seguinte uma vitória no tapetão. Como foi rebaixada, a Rubra teria que disputar em 1999 o Campeonato Goiano da Segunda Divisão. Mas faltando uma semana para o início do Campeonato da Primeira Divisão, a Federação Goiana suspendeu o time do Santa Helena, que devia taxas de arbitragens do campeonato anterior. O Presidente da Xata, que era Vice da Federação, conseguiu então um “Convite” para disputar o campeonato, e a Anapolina continuou na Primeira Divisão.

1998 foi um ano negro para a Anapolina, que ficou em penúltimo lugar no Campeonato Goiano e foi rebaixada para a Segunda Divisão. A Rubra fez a sua estréia em Goiânia, contra o Goiás. A diretoria não conseguiu regularizar os jogadores, e o time entrou em campo com apenas dez jogadores, e sem nenhum reserva. O goleiro reserva também jogou na linha. Final do jogo: Goiás 6 x 0 Anapolina. No segundo turno, jogando em Anápolis, a Rubra surpreendeu o Goiás: em menos de trinta minutos, já vencia o jogo por 3 x 0. Final: Anapolina 4 x 3 Goiás.

A Anapolina faz parte da história do falecido Bill, folclórico jogador que foi revelado pelo Itumbiara. Naquela ocasião, Bill atuava pelo Goiânia, e vinha fazendo gols em todos jogos, disputando a artilharia do Campeonato Goiano. No jogo entre Anapolina e Goiânia, realizado em Anápolis dia 17/07/1975 pelo segundo turno, o massagista da Anapolina divulgou durante a semana que faria uma "macumba" para impedir que Bill fizesse gols no jogo contra a Rubra. Para tanto, uma bola preta seria colocada no fundo do gol defendido pelo goleiro da Xata, e assim foi feito. Final da história: o Goiânia venceu por 1 x 0, gol de Bill, que passou a ser chamado de “Bill bola branca”. No primeiro turno, foi a Xata que havia aprontado para cima do Goiânia: se o time da Capital vencesse o jogo, realizado dia 28/05/1975 em Goiânia, seria campeão por antecipação, e chegou a estar vencendo o jogo por 4 x 0; mas a Rubra reagiu, e empatou o jogo em 4 x 4, adiando a festa do Goiânia, que precisou torcer por um empate entre Goiás e Vila Nova para ser o campeão do turno.

Conta-se que, em 19/10/1967, quando a Rubra enfrentou o Goiânia na Capital do Estado, no primeiro tempo o time perdia por 1 x 0. O presidente da Xata ficou revoltado com a apatia dos jogadores, e prevendo uma derrota por uma sonora goleada, levantou-se e foi embora para Anápolis, sem assistir sequer o final do primeiro tempo do jogo. De madrugada, passa por um bar e vê os jogadores festejando. "...Êta bando de vagabundos... perdem o jogo de goleada e ainda comemoram...", teria dito o presidente. Ele não sabia que o time tinha virado o jogo, e vencido por 7 x 1.

BOTAFOGO 4 x 0 Anapolina, no estádio Caio Martins, Niterói-RJ; Show de bola do Botafogo! Gols de Leandrão e Têti, destaque da partida. O Botafogo começava a garantir a sua volta à Primeira Divisão. Destaque cômico do jogo: No final do primeiro tempo, o lateral-direito Baiano da Anapolina deu um soco no Edgar (zagueiro do Botafogo). Formou-se a confusão e o árbitro William Valente chegou e expulsou o zagueiro Valkmar da Anapolina. O bandeirinha, vendo o erro do juiz, foi em direção a ele com a mão levantada, fazendo o sinal de "2" com os dedos. O soprador de apito não titubeou e expulsou o Edgar também! Então, o bandeirinha entrou correndo em campo e falou ao ouvido do árbitro que na verdade foi o número 2 da Rubra que tinha que ser expulso. No final das contas, apenas o lateral da Anapolina foi pro chuveiro mais cedo.

Essa foi incrível: no jogo realizado em Recife, entre o Náutico e a Anapolina, pelo Módulo Amarelo da Copa João Havelange, o volante Mineiro, do time pernambucano, foi expulso de campo porque “tascou” um beijo no nariz do árbitro Reinaldo Ribeiro. Incontinente, o apitador lhe mostrou o cartão vermelho. Na forma atípica de protestar contra o trabalho do juiz, Mineiro demonstrou mau gosto duas vezes: beijar homem e dar o beijo no nariz. E ainda seu time perdeu o jogo por dois a zero.

Em 27/09/2003, a Anapolina encerrou sua participação na Série B enfrentando o Avaí-SC, jogando em Anápolis. O fato curioso relacionado a esta partida, ocorreu na viagem do time catarinense até chegar a Anápolis. Como não tinha as passagens de avião custeadas pela CBF, a delegação do Avaí veio até Anápolis de ônibus, numa viagem que demorou dois dias. Eles tiveram que trocar de ônibus três vezes, devido a quebras mecânicas ocorridas nos veículos. Na hora do jogo, a delegação ainda não havia chegado ao estádio Jonas Duarte, e o juiz já ameaçava decretar o "W-O", quando a diretoria da Anapolina foi informada que o ônibus estava parado na estrada, com defeito, já próximo da cidade. Foi enviado então um ônibus para "resgatar" o time catarinense. Os jogadores chegaram no estádio com mais de uma hora de atraso, em relação ao início previsto para o jogo, e foram direto para o campo se aquecer. Mesmo famintos e cansados, os catarinenses demonstraram bravura, e conseguiram empatar no finalzinho do jogo, sob os olhares dos pouco mais de trezentos torcedores que testemunharam o fato.

A melhor fase da Anapolina foi no período de 1978 a 1982. Dentre os jogadores que atuaram naquela época, podem ser formadas três seleções de alto nível. As escalações dessas seleções seriam as seguintes:

SELEÇÃO DE OURO: Dilon, Vinicius, Sidney, Ribas e Nilton; Paulo Sérgio, Mateus e Nei; Jorge Cruz, Sávio e Rodrigues.

SELEÇÃO DE PRATA: Deo, Assis, Wilson Santos, Paulo Nelli e Eulálio; Roberto Chaves, Barão e Esquerdinha; Sinomar, Zé Carlos Paulista e Raimundinho.

SELEÇÃO DE BRONZE: Cantarelli, Wilson Soares, Gideone, Deirote e Robô; Mário, Armando, Paghetti e Zé Carlos Serrão; Osmário e João Paulo.

Em 1979 foi editado o livro intitulado "Anápolis, sua vida, seu povo", escrito pela historiadora Haydée Jayme Ferreira. Haydée foi casada com Odir da Costa Ferreira, que foi fundador e atleta da Associação Atlética Anapolina. Ela dedica um destaque especial para a Rubra, clube que lhe despertava uma grande antipatia, a ponto dela passar a ser torcedora do rival Anápolis Futebol Clube. Transcrevemos a seguir um trecho dessa obra, com nossas homenagens à autora: ...... Desde o início do futebol em Anápolis, até 1957, tivemos os seguintes times: Bahia, Cruzeiro do Sul (não organizados), Anápolis Sport Club (o primeiro a se organizar), União Sportiva Operária, Associação Atlética Anapolina, Anápolis Futebol Clube (antiga União Esportiva Operária), Ipiranga, São Francisco, e possivelmente outros times menores. O "Anápolis Futebol Clube", que é o antigo "União Esportiva Operária" e a "Associação Atlética Anapolina", formada pela quase totalidade dos jogadores e torcedores do extinto e pioneiro "Anápolis Sport Club", são os quadros de futebol mais antigos de Anápolis, e continuam aí, firmes, lutando pelo engrandecimento esportivo de nossa terra. Embora o historiador tenha a obrigação de ser imparcial, aqui demonstrarei a minha parcialidade. Desculpem-me os leitores e os torcedores de outros times. Convivi pouquíssimo tempo com o Anápolis Sport Club, pois me casei em 19 de abril de 1947 e, em janeiro de 1948, grande parte dos jogadores do ASC, entre eles o Odir, e a maioria dos torcedores, fundaram a Associação Atlética Anapolina. Odir da Costa Ferreira e Arnaldo Vento jogavam bem à bessa, e em 1946 foram convocados pela Seleção Goiana para a disputa do campeonato brasileiro. Nessa época Odir e eu éramos noivos e, lógico, fiquei estourando de orgulho. Em Uberaba, Odir quebrou o joelho, teve de ser engessado, e voltou para Anápolis, profundamente irritado. Em fins de 47, Odir me dizia, em tom um tanto sigiloso:-"Não sei se vai dar certo, mas acho que vamos fundar um novo time de futebol. Está havendo muito desentendimento entre os membros da diretoria, os jogadores estão descontentes e o Anápolis cheio de dívidas." Todos os dias ele me falava sobre as conversações, os planos, etc. Quando fundaram a Associação Atlética Anapolina, em janeiro de 1948, o entusiasmo de meu marido era quase infantil. Ele era apaixonado pela "Rubra", ao ponto de me causar ciúmes. E foi por ciúmes, por birra, que comecei a torcer pelo Anápolis Futebol Clube, antigo Operário. A Associação passou a ter vários nomes: - Rubra, Xata, Madame X... O humorismo do grupo de torcedores atraía a simpatia da cidade. Em nossa casa só se falava na Rubra. O Iberê Dujardim era o meninão do time. Dele se contavam coisas incríveis. Os torcedores mais fanáticos, aliás, esse termo é suave, os que eram doentes pela Rubra, reuniam-se num barzinho da rua Manuel d’Abadia, onde saíam assuntos notáveis... Segundo eles, a Xata tinha apenas 33 sócios e não aceitava mais, pois o "Rubro" tinha de ser apaixonado pelo quadro, humilde, forte no sofrimento e fiel à "Madame", tanto nas vitórias como nas derrotas. Certa tarde, o Wahib Aidar apareceu com uma carta escrita em inglês, "assinada" pela rainha Elizabeth II, solicitando sua inscrição no quadro de torcedores. Após acalorados debates ficou decidido que Sua Majestade não seria aceita. Quando da Copa do Mundo, na Inglaterra, ouvindo o jogo pelo rádio, Odir e eu fomos surpreendidos com esta informação do locutor: -"Daqui estou vendo faixas de vários quadros do Brasil, mas vejo uma que não consigo entender. Nela está escrito: A RUBRA É XATA". A Rubra tornou-se internacional... Durante os jogos, os torcedores fanáticos, bravos e irritados, chamavam o juiz de ladrão e outros nomes impublicáveis. Cristalino B. da Costa (torcedor n° 33), fino, educado, incapaz de uma ofensa, o máximo que dizia, em desabafo, era: - "Esse juiz é venal!..." Após o seu passamento, a vaga 33 ficou por ser preenchida, mas, até hoje não sei quem tomou seu lugar. O que posso afirmar, com absoluta certeza, é que a Associação Atlética Anapolina foi a minha maior rival, pois, disputou comigo as atenções do Odir durante 27 anos. Ele já não se encontra entre nós, mas ELA CONTINUA AÍ.