>>> RAUL (Raulino) <<<

Reportagem publicada originalmente no Jornal Correio do Planalto, em 11/02/1978.

Grande artilheiro, e presença indispensável em qualquer equipe anapolina da década de quarenta, Raul modestamente se define como "o maior marcador de gols que já apareceu por estas bandas". Com pouco mais de 60 anos de idade, é um dos poucos remanescentes do famoso "Pantera Goiano". Sem possuir o chamado chute forte, Raul foi da espécie de artilheiro que sempre procurava colocar a bola, deslocando os goleiros. Deixava sua marca em quase todas as partidas de que participava.

A carreira de Raul foi quase toda no Anápolis Sport. Quando este mudou o nome para Associação Atlética Anapolina, jogou ainda uns dois anos, fazendo uma dupla famosa com Trator. Guarda bem na memória, os fatos que envolveram sua entrada para o Anápolis Sport. "O Anápolis Sport vinha tentando um centro-avante, havia já algum tempo. Trouxe o  Tíntias, o Seu Chico, o Walter Rosa, todos craques, mas nenhum dava certo no meio do ataque, e acabavam sendo deslocados para outra posição. Bem, teve um jogo aí, contra o Goiânia Esporte. Resolveram me colocar de centro-avante. Mal saiu a bola, Seu Chico dominou no meio de campo e me lançou na corrida, na área adversária. Correndo, sem dominar a bola, dei um chapéu no Dodô, outro no goleiro Max, que havia saído do gol, e entrei com bola e tudo! A partir daí, o futebol de Anápolis descobriu um grande centro-avante".

Jogando sempre como amador, sem jamais ter ganho alguma coisa como jogador de futebol, Raul lembra com saudade de um craque, que à época era semi-profissional. O centro-médio Thomaz, a seu ver, o melhor jogador aparecido em Goiás, destes artistas que participam de todas as jogadas no campo.

Entre os goleadores da Rubra, cita como os mais eficientes, ele mesmo e o finado Zeca Puglisi. Escalaria assim o time da Rubra, desde a época do Anápolis Pantera: Manoelão ou Juca; Arnaldo e Escobar; Alceu, Thomaz ou Macarrão e Afonso ou Argentino; Leitão, Seu Chico, Raul ou Zezé, Walter Rosa e Zeca ou Gildo. Podendo ainda aproveitar Tíntias e Edmundo.

>>> A VINGANÇA DE RAUL CONTRA A RUBRA <<<

No segundo semestre de 1949, Raulino (Raul Silva), insatisfeito com os Puglisi (Laudo, Júlio e Zeca, seu cunhado) que, segundo ele, preferencialmente tocavam a bola entre eles, foi para o Operário (União Esportiva Operária, atual  Anápolis Futebol Clube, arqui-rival da Anapolina), sendo trocado pelo "Mirim" (futuro Dr. Amir de Souza Ramos) que estava contundido no Operário, devendo ser essa, talvez, a primeira ou uma das primeiras transações (troca) de jogadores entre clubes de futebol em Goiás. Nessa época, Raulino já estava com 33 anos de idade. A sua estréia foi justamente contra a Anapolina, e vejam só o que ele aprontou... 

O final da carreira de Raulino foi espetacular, e ao mesmo tempo melancólico. Raul estava assistindo a uma partida entre o Flamengo Futebol Clube e o 1° de Maio de Goiânia. O Flamengo perdia de 3 x 0. O Sr. João Queiroz, "dono" do Flamengo, seu grande amigo, implorou para que ele entrasse no jogo, e para tanto emprestou-lhe todo o material de jogo. Raulino entrou em campo e fez cinco gols! Um foi anulado, porque a bola furou a rede e não foi aceito, e o Flamengo venceu o jogo por 4 x 3!  No 4° gol, o goleiro recebeu a bola entre as pernas, e acabou caindo sobre o joelho do Raul,  lesando os meniscos e o ligamento cruzado. Apesar de operado, nunca mais conseguiu jogar novamente, pois naquela época a medicina esportiva ainda estava iniciando, e os resultados eram precários.

FONTE: SILVA, W. R. Sou anapolino com muito orgulho - Raul Silva. Anápolis, 2003. 21 ed.